“Tão mais prazeroso quando um tira a roupa do outro e se roça e se enreda de sinais. Não dependemos de música-ambiente, desde que sejamos envolvidos pela respiração de nossa companhia. Respirar perto e acelerado prepara o gemido”
Despindo o mundo com o olhar
“Tão mais prazeroso quando um tira a roupa do outro e se roça e se enreda de sinais. Não dependemos de música-ambiente, desde que sejamos envolvidos pela respiração de nossa companhia. Respirar perto e acelerado prepara o gemido”
Por favor, não me atice. Já não respondo por mim há um tempo. Não controlo esse impulso vindo de baixo, de dentro. Que sobe queimando meu ventre, barriga, seios, que me deixa de boca seca e lábios entreabertos, com os joelhos fracos, desejando. Então, por favor, não brinque com esse fogo, não me tente, não me atente. Que se deixar te devoro com meus olhos, lábios, mãos. Cheia de pernas, enlaçando sua cintura, ansiosa, te puxando pra perto, pra dentro. Não ouse se quer hesitar, me provocar, que de provocação já fiz estoque e estou dispensando. Me agarre, me pegue com força, me morda, me beije, me coma. Ou quer saber? Deixa pra lá, que do jeito que tá, te como eu.

Chega uma hora em que o pensamento vai e volta, contorna, mas se fixa na mesma coisa. Eu já não consigo deixar de lembrar, reviver, querer mais e mais. Já virou minha fantasia recorrente.

Tem horas que o desespero bate. A iminência de você sair de mim e ir embora me pede medidas extremas. Me amarro em você. Te prendo entre as pernas, com corda e tudo. Te tranco dentro de mim. Quem sabe assim não te perco?

Movimentos circulares, hipnoticos. Até a vontade de entrar em mim ser insuportável. Até me sentir bem quente, me derretendo de dentro pra fora, em volta de você.