“Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais”
Nelson Rodrigues
Despindo o mundo com o olhar
Por favor, não me atice. Já não respondo por mim há um tempo. Não controlo esse impulso vindo de baixo, de dentro. Que sobe queimando meu ventre, barriga, seios, que me deixa de boca seca e lábios entreabertos, com os joelhos fracos, desejando. Então, por favor, não brinque com esse fogo, não me tente, não me atente. Que se deixar te devoro com meus olhos, lábios, mãos. Cheia de pernas, enlaçando sua cintura, ansiosa, te puxando pra perto, pra dentro. Não ouse se quer hesitar, me provocar, que de provocação já fiz estoque e estou dispensando. Me agarre, me pegue com força, me morda, me beije, me coma. Ou quer saber? Deixa pra lá, que do jeito que tá, te como eu.

Chega uma hora em que o pensamento vai e volta, contorna, mas se fixa na mesma coisa. Eu já não consigo deixar de lembrar, reviver, querer mais e mais. Já virou minha fantasia recorrente.

Adoro ver o corpo estendido entre minhas pernas, bumbum pro alto, enquanto eu mal consigo me controlar e apreciar.
Esses dias não me aguentei. Sentia na pele os arrepios de pensar um milhão de coisas, fantasias, loucuras e decidi, de uma vez por todas, dividir. Detalhei cada cena dos meus delírios em um email. Tudo o que eu queria que ele fizesse comigo, todas as provocações que eu queria fazer a ele. Precisei, imediatamente, de uma pausa. Pena que não tirei uma foto, porque estava assim… de foto… Seria um ótimo anexo pro email previamente enviado, não?